Sábado, 31 de Julho de 2010
 
Açafrão  

                                                                                         AÇAFRÃO: (Curcuma longa  Linn..) 
 
 Família: Zinziberaceae
 Nomes Populares: Açafrão-da-índia, curcuma, açafrão-da-terra, gengibre-dourado, mangarataia (AM)     e batatinha-amarela.
Outros idiomas: Turmeric, saffron (inglês), haridra (sânscrito).

1.1.– DESCRIÇÃO BOTÂNICA:
Planta herbácea, sendo anual a parte aérea (folhas e pseudo-caule) e perene a parte subterrânea (rizomas), podendo chegar a 1,5m de altura. Apresenta-se com rizomas amarelo-alaranjados ou vermelho-alaranjados, de consistência carnosa, sendo o rizoma principal piriforme, com ramificações secundárias, ou ovóide, séssil, cilíndrico, grosso, às vezes amarelo-claro. São todos marcados com anéis de brácteas secas. As folhas possuem longo pecíolo   haste que formam o pseudo-caule liga a folha ao caule   são grandes, lanceoladas, com nervuras reunidas na base e emanam um aroma agradável. As flores são amarelas, dispostas em espigas verde-pálidas e bracteadas. Os frutos possuem cápsulas bivalve trilocular, com numerosas sementes arredondadas.

1.2 – PARTE UTILIZADA E COMPOSIÇÃO QUÍMICA:

1.2.1 – Parte Utilizada: Rizomas

1.2.2 – Composição Química:
Dos rizomas secos extraem-se, por destilação a vapor, de 1 a 5% de óleos essenciais. O óleo essencial   de cor amarela a laranja   é rico em cetonas sesquiterpênicas monociclas (59%), predominando a curcumina (turmerona ou turmerol)  e a dl-ar-turmerona (desidroturmerona), substâncias análogas à curcumina, a desmetoxicurcumina e a bisdesmetoxicurcumina. Contém ainda o álcool p, -dimetilbenzílico, o ácido caprílico, o l-metil-4-acetil-l-ciclohexeno e açúcares.
 Contém também -e-y-atlantonas (0,5%), zingibereno (25%) e ainda d--felandreno, d-sabineno, cineol, borneol, p-limoneno, -pineno, linalol, cariofileno e álcoois sesquiterpênicos.
  O cineol e o borneol também são óleos essenciais. As amostras diferem de um lugar para o outro, variando também o teor dos constituintes, mas sempre dentro de parâmetros definidos. A análise química forneceu os seguintes valores: umidade: 13,1%, proteína: 6,3%, gordura: 5,1%, matéria mineral: 3,5%, fibras: 2,6%, carboidratos: 69,4% e caroteno: 50 UI/10mg. O zinzibereno, identificado como toli-metil carbinol, é um álcool e tem ação colerética. A curcumina, um difeniloil-metano, dissolve-se em ácido sulfúrico concentrado, assumindo cor amarelo-avermelhada. As propriedades antioxidantes do pó do açafrão são devidas, provavelmente, à característica fenólica da curcumina. A tintura age como colagogo, estimulando a contração da vesícula.

                        1.2.3 - Atividades biológicas:

                         O L-felandreno é usado em perfumaria, como fragrância. Pode ser absorvido pela pele, produzindo irritações. Ingerido, pode causar vômito e diarréia. A solução do óleo tem efeito carminativo, estomáquico, emenagogo, tônico, anti-espasmódico, antiácido e colerético (por isso, é útil no tratamento da constipação e má digestão). Com relação ao óleo essencial foram comprovadas ainda: atividade antiinflamatória, atuando em exsudatos e granulomas; atividade antiartrite (pela presença comum de esteróides, com efeito similar à hidrocortisona); inibição das enzimas tripsina e hialuronidase; atividade anti-helmíntica e antiprotozoária (E. histolytica); atividade antialérgica (bronquite, rinite, asma, eczema e urticária); atividade antifertilidade em ratos (100% em doses de 200mg/peso corpóreo). Testes de laboratório mostraram que os óleos essenciais de seis espécies de curcuma, inclusive a angustifolia e a longa, possuem excelente atividade contra patógenos fúngicos vegetais e humanos, até em grandes diluições (1:500), comprovando o uso medicinal das referidas plantas. Apresentaram também ação antibacteriana (Staphylococcus albus e aureus). Organismos envolvidos em colecistite também se mostraram suscetíveis. No edema agudo produzido pela carragenina (musgo-da-irlanda), mostrou a mesma potência antiedema que a fenilbutazona. Na inflamação crônica, mostrou só a metade da potência. Em culturas de células hepáticas neoplásicas de ratos, verificou-se que a curcuma e outros curcuminóides exercem relevantes efeitos citotóxicos para essas células. A dose letal (DL50) por via oral, em camundongos, é superior a 2,0g/kg de peso corpóreo.
 
1.2.4 – Indicações Terapêuticas:

Indicado como uma complementar no tratamento de artrites e doenças auto-imunes. É coadjuvante nos casos de bronquite, asma brônquica, sinusite e rinite. Auxilia no tratamento dos  eczemas, urticárias e acne.  Também é uma opção complementar no tratamento do diabetes mellitus, da obesidade e nos excessos do colesterol ruim.  É indicado como auxiliar nos casos de verminoses, anemia, intoxicação por radicais livres e toxinas em geral. É descrito como um digestivo, hepatoprotetor  e auxiliar no tratamento de indigestões e flatulências.  Pode ser usado como terapia de suporte no tratamento e prevenção de tumores e cânceres. Externamente é indicado como anti-séptico e cicatrizante em úlceras, eczemas, lavagens vaginais e oftálmicas e em queimaduras.

Contra Indicações:
Contra indicado nas cólicas biliares, icterícia obstrutiva e casos de extrema intoxicação do fígado.
Deve ser evitado nos primeiros três meses de gravidez, nas mulheres com dificuldade de engravidar, nas pessoas com dificuldade de coagulação sanguínea e em pacientes em uso de anti-coagulantes.

                        1.3 – ASPECTOS FITOSSOCIOLÓGICOS:
O açafrão (Curcuma longa), originário da flora asiática, principalmente da Índia, foi introduzido no Brasil Colônia, sendo muito cultivado nos países tropicais como planta medicinal ou condimentar.
A Curcuma longa é amplamente utilizada na culinária indiana sendo um dos componentes do tempero mundialmente conhecido como “curry”. É também utilizada, naquele país, como anti-séptica na higiene pessoal e na limpeza de alimentos, como peixes, antes de sua preparação.
No Brasil, seu uso na culinária é habitual no Centro-Oeste e em Minas Gerais.

1.4 – ASPECTOS EDÁFICOS:
O solo deve ser fértil, com alto teor de matéria orgânica, bem drenado com textura média ou arenosa, solto e arejado e exige preparo esmerado. Essa planta desgasta o solo.

1.5 – ASPECTOS CLIMÁTICOS:
Requer temperatura média anual superior a 21°C e precipitação pluvial mínima de 1.500mm. Pode crescer bem ao nível do mar e em altitude de até 1.220m. Prefere clima tropical e sub-tropical (quente e úmido).

1.6 – CULTIVO:
Plantio: a época é no início do período chuvoso (out.). Plantam-se os rizomas (gomos ou pedaços do rizoma principal) separados, com peso médio superior a 30g. Escolhem-se os de coloração mais intensa, que são colocados em sulcos de 10cm de profundidade e cobertos com 5cm de terra. Necessita-se de 1.000 a 1.500kg/ha de rizoma-semente.
 O ciclo é de aproximadamente oito meses; pode variar algumas semanas dependendo da fertilidade do solo e do sistema de irrigação implantado.

1.6.1 – Produção de Mudas:
A propagação é feita através dos rizomas.

1.6.2 – Plantio:
 pH = 6,5
 Espaçamento: 70cm entre linhas e de 30cm entre plantas

1.6.3 – Adubação:
 Plantio: esterco bovino
 Em cobertura:

1.7 – COLHEITA:
 Época: A colheita é feita quando a parte aérea começa a amarelar e secar (oito a dez meses depois do plantio), para aproveitamento como condimento. Para uso medicinal (extração do óleo essencial), esperam-se dois ciclos, fazendo-se a colheita no segundo ano de plantio. Revolve-se o solo com sulcador de tração animal, mecânica ou com enxada, expondo os rizomas. Colhe-se manualmente.
 Rendimento: O rendimento é de 10 a 12ton/ha de rizomas frescos.

1.8 – BENEFICIAMENTO:

Dos rizomas são fervidos para produzir a evaporação de tóxicos voláteis, depois, secados ao sol e moídos antes de serem utilizados como medicamento e corante.

1.                     1 .9 - PREPARAÇÕES:

                         Pó, pasta, ungüento, loção, inalante, óleo medicado e cataplasma.
 
 Dosagens:
 Uso interno
 Pó: 250mg (¼ de colher das de chá, rasa) em água ou leite, três vezes ao dia.
 Uso externo
 Pó (fino): pulverizado sobre doenças da pele e feridas, estimulando a cicatrização.
 Cataplasma: ação anti-inflamatória;
 Óleo medicado: cicatrizante e antisséptico.
 
 1.10 – OBSERVAÇÕES:
No Brasil a Cúrcuma é chamada de açafrão, principalmente nas regiões de Minas Gerais e Goiás, mas não podemos confundir a Cúrcuma com o verdadeiro açafrão o Crocus sativus só por que os dois possuem a coloração amarelada. A Cúrcuma também é conhecida como Açafrão-da-terra, Açafrão-da-índia, e a planta como um todo é chamada de açafroeira.

Para preparações medicamentosas, é necessário submeter os rizomas a um processo de fervura em água ou leite, durante uma hora, antes de se proceder à secagem. Isto leva à liberação de princípios tóxicos, pois a dose terapêutica não é a mesma utilizada para fins culinários.

                       

                       

                       

                       

                       

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